"Mais importante que o lucro é a vida"

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Sobre carta pública enviada pelo SNA

O texto abaixo é de autoria do Presidente da Associação dos Tripulantes da TAM (ATT), o que não necessariamente representa a opinião dos demais diretores da ATT, ou mesmo a dos seus associados, conforme fica claro no conteúdo do mesmo. Ao contrário da carta pública produzida conjuntamente pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e pela Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo (FEBRACTA) enquanto entidades, o texto abaixo assinado pelo Presidente da ATT foi enviado apenas às diretorias da ASAGOL e da TAM, bem como disponibilizada no site da ATT exclusivamente aos associados da mesma, mas não foi enviado às diretorias do SNA e da FEBRACTA. Desta forma, trata-se de um texto privado, não suscetível às críticas justamente daqueles que pretende criticar: SNA, FEBRACTA e Controladores de Vôo em geral. Os editores deste blog acreditam que o conflito dialético é a melhor forma de levantar-se eventuais contradições e erros de raciocínio e, justamente por isso, decidiram publicar neste espaço ambos os documentos. Opiniões dos leitores são muito bem-vindas no espaço para comentários, que neste blog é aberto ao público.

PS1: Todos os grifos são exclusivamente nossos.

PS2: Cmt Hugo Schaffel Junior, caso o senhor deseje, por favor, explique à sociedade em geral (associados da ATT, usuários de transporte aéreo e autoridades aeronáuticas, policiais e judiciárias) o que especificamente o senhor pretendeu dizer com a seguinte passagem: "por diversas vezes somos levados a descumprir a legislação em vigor no que diz respeito à carga de trabalho"?




Caros Associados e Associadas:

Ao final deste texto publicamos cópia da "carta" distribuída pelo SNA a órgãos de imprensa nacionais. Peço a todos que a leiam, reflitam e dêem um retorno para a ATT, nos informando se concordam totalmente, concordam em parte, discordam totalmente ou discordam em parte, para que possamos nos posicionar em relação ao assunto.

De nossa parte, acreditamos que qualquer união entre o SNA e o Sindicato, ou Associação, ou qualquer coisa que o valha, dos Controladores de Vôo neste momento é totalmente inadequada, já que nós que voamos todos os dias percebemos claramente que não há a intenção por parte daquela categoria de melhorar nada, mas sim de, através de manobras permitidas pelo regulamento, causar o máximo de dificuldades possíveis ao fluxo de tráfego, incorrendo por diversas vezes em situações que nos colocam num potencial de risco à operação, que nos levam a tomar decisões que penalizam nossos usuários, nossa empresa e nós mesmos, na medida que por diversas vezes somos levados a descumprir a legislação em vigor no que diz respeito à carga de trabalho, além do stress extremamente alto a que somos submetidos por determinações do Controle de Tráfego Aéreo que contrariam toda a nossa percepção de consciência situacional.

Sob o nosso ponto de vista acreditamos que ao invés de controladores seguirem à risca e estritamente os manuais de controle de tráfego, esses manuais devem ser atualizados e como diz o SNA em sua nota, devem ser adequados aos manuais de controle de tráfego dos países da América do Norte, Europa e Ásia e não aos de Uganda, Rodésia, etc (que preconceito, hein!!!!), que têm como regra básica, separações mínimas entre tráfegos, para fluidez desse tráfego. Já repararam que, embora sejam utilizadas separações extremamente extensas em aproximações, os órgãos de controle chamam a nossa atenção quando estamos uma milha à direita ou à esquerda do eixo? Pois é... Já repararam que nossa separação mínima entre tráfegos em aproximação final é de 7 milhas e que decolagens são impedidas quando existe tráfego para pouso passando o Outer Marker, ou mesmo antes, sendo que é matematicamente impossível qualquer tráfego que arremeta, na DH, com 150 Kt, interferir numa decolagem onde a aceleração, em 1 minuto, será suficiente para dar separação? Por que não se usa o "radar vector" em nossas SIDS, já que a precisão, conforme afirmado acima, é de 0.5 nm nos equipamentos radar utilizados hoje? Por que não é implantado o sistema de saída rápida de pista, permitindo separações de 2.5nm em aproximações (No Charles de Gaulle a autorização de landing é dada com a aeronave precedente na corrida de pouso... No JFK a autorização é dada com a aeronave à frente a no mínimo 1 milha, ainda voando, esperando-se que ela livre a pista no menor espaço de tempo e distância possível... (Tudo bem que teremos que doutrinar o povo da laranjinha, mas isso é outro papo...). Peço a todos que entrem no site www.jfktower.com e observem como é o controle de tráfego para que tenham uma idéia do que é eficiência e que repassem esse link para os controladores que porventura conheçam.

Iremos levar à Administração da TAM a idéia de reativar o projeto de acompanhamento de nossos vôos de um controlador de vôo, projeto esse que foi implantado na Transbrasil e que resultou em grandes mudanças na filosofia de controle de vôo do Brasil, com conceitos de separações menores, baseadas em velocidades compatíveis com aproximações estabilizadas, sem infringir nenhum critério de segurança de vôo (mantenha 180 kts até o Outer Marker, por exemplo) critérios esses que foram abandonados, infelizmente.

Não se pode desejar, hoje em dia, pelas precárias condições de infra-estrutura que infelizmente existem, que as empresas sejam penalizadas por atrasos em vôos. Sabemos, todos nós, que muitos atrasos são ocasionados pela falta de estrutura das empresas, inclusive a nossa, mas, numa visão macro, todos sabemos que esses atrasos podem ser minorados com ações que não requerem nenhum investimento, mas somente a mudança de parâmetros que foram definidos há muito tempo e que, sem dúvida, requerem atualização.

Baseados nessas idéias é que eu peço a todos os senhores que nos abasteçam com sugestões e idéias sobre o assunto, porque achamos que a "carta" do SNA não é representativa da opinião da maioria do grupo de vôo das empresas aéreas brasileiras. Mas antes de tomarmos qualquer atitude, é fundamental que saibamos a opinião da maioria de nosso grupo.

Finalizando, quero informar a todos vocês que iremos publicar em nosso site uma pesquisa de opinião sobre a representatividade do SNA no que diz respeito ao nosso grupo, já que é público o fato de que na direção daquele órgão não existe nenhum aeronauta em efetiva atividade no exercício da profissão, o que pode mascarar as reais expectativas e demandas dos aeronautas das empresas aéreas brasileiras. Quero informar também que este e-mail está sendo repassado para a ASAGOL, entidade que representa os aeronautas da empresa Gol, para conhecimento.

Um forte abraço a todos,

Cmt. Hugo Schaffel Junior - Presidente da ATT
Diretoria da ATT

Fonte: Associação dos Tripulantes da TAM (ATT)
Data: 10/12/2007
Autor: Hugo Schaffel Junior - Presidente da ATT
Link: http://att.org.br/site/vernoticia.asp?ID=3384

Veja também: Alerta Sobre a Crise Aérea: Manifesto dos Aeronautas e Controladores à Nação Brasileira

1 comentários:

Gedilson Lima disse...

Texto de extrema irresponsabilidade!

É este modelo de gente, Hugo Schaffel Junior, que os tripulantes da TAM têm como presidente de sua associação?

Gedilson T. Lima

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"Quando falamos sobre alguém que perdeu a vida em um acidente, por algum erro operacional inadmissível, devemos sempre lembrar do seguinte: Ele lançou mão de todos os seus conhecimentos e tomou uma decisão. Ele acreditava tanto nesta decisão que apostou nela a sua vida. O fato de ele ter errado não é uma estupidez... é uma tragédia. Todos os chefes e colegas que tiveram contato com ele, tiveram a oportunidade de influenciar o seu julgamento. Por isso, cada vez que alguém se vai em um acidente, um pouco de cada um de nós também vai junto."