A indicação do brigadeiro da reserva da Aeronáutica Allemander Pereira para uma das vagas da diretoria colegiada da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) preocupa alguns especialistas com atuação no setor aéreo. Para eles, a substituição do ex-diretor Jorge Luiz Brito Velozo, coronel aviador que gerenciava a área de Segurança Operacional, Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos pode significar um passo atrás na desmilitarização dos cargos da agência.
A Lei 11.182, que criou a Anac em 27 de setembro de 2005, prevê no seu artigo 46 que os militares da Aeronáutica, da ativa, que ocupam cargos na agência devem ser reintegrados à Força Aérea Brasileira no período de cinco anos, "à razão mínima de 20% a cada 12 meses". A lei fez com que os militares membros do antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) fossem integrados aos quadros da entidade reguladora.
Não foi o caso do brigadeiro Allemander. O indicado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, depois de trabalhar por 20 anos no DAC, embarcou na iniciativa privada ao entrar para a reserva. Foi presidente da empresa Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos (Sata), que presta serviços de manutenção de aeronaves às empresas, além de integrar o conselho deliberativo do fundo de pensão Aerus, da Varig. Até então, integrava o conselho da Nordeste, empresa que administra a massa falida da antiga Varig.
- O Senado deveria fazer uma sabatina consistente ao brigadeiro. Mas todos nós sabemos que, devido à situação atual da Casa, a aprovação vai ser feita às pressas, reunindo meia dúzia, como foi na sabatina de Carlos Alberto Direito para o Supremo - alertou uma fonte do setor.
Para outro especialista, o nome de Allemander vinha sendo cogitado há algum tempo. Segundo interlocutores, o brigadeiro esteve presente à última reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) com o ex-ministro Waldir Pires, dias depois do acidente com o Airbus da TAM. Allemander teria participado como consultor do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea).
Na reunião, ele foi apresentado como autor de um plano alternativo aeroviário que havia elaborado na época do DAC, mas nunca discutido pelo órgão.
- Como uma pessoa fica 20 anos num departamento do governo, conhece os problemas que se acumulam até hoje e sua proposta não é discutida? - questiona o técnico.
A criação da Secretaria Nacional de Aviação Civil - setor executivo que tiraria poderes da Anac - também preocupa. No lugar do professor Rigobert Lucht, originário do campo acadêmico e diretor do Departamento de Política de Aviação Civil, do Ministério da Defesa, cotado para transformar-se na secretaria, Jobim pôs o ex-diretor-geral do DAC e major-brigadeiro-do-ar Jorge Godinho Barreto Nery.
Autor: Kayo Iglesias
Data: 09/09/2007
Fonte: Jornal do Brasil - País
Link: http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/09/09/pais20070909011.html
A Lei 11.182, que criou a Anac em 27 de setembro de 2005, prevê no seu artigo 46 que os militares da Aeronáutica, da ativa, que ocupam cargos na agência devem ser reintegrados à Força Aérea Brasileira no período de cinco anos, "à razão mínima de 20% a cada 12 meses". A lei fez com que os militares membros do antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) fossem integrados aos quadros da entidade reguladora.
Não foi o caso do brigadeiro Allemander. O indicado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, depois de trabalhar por 20 anos no DAC, embarcou na iniciativa privada ao entrar para a reserva. Foi presidente da empresa Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos (Sata), que presta serviços de manutenção de aeronaves às empresas, além de integrar o conselho deliberativo do fundo de pensão Aerus, da Varig. Até então, integrava o conselho da Nordeste, empresa que administra a massa falida da antiga Varig.
- O Senado deveria fazer uma sabatina consistente ao brigadeiro. Mas todos nós sabemos que, devido à situação atual da Casa, a aprovação vai ser feita às pressas, reunindo meia dúzia, como foi na sabatina de Carlos Alberto Direito para o Supremo - alertou uma fonte do setor.
Para outro especialista, o nome de Allemander vinha sendo cogitado há algum tempo. Segundo interlocutores, o brigadeiro esteve presente à última reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) com o ex-ministro Waldir Pires, dias depois do acidente com o Airbus da TAM. Allemander teria participado como consultor do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea).
Na reunião, ele foi apresentado como autor de um plano alternativo aeroviário que havia elaborado na época do DAC, mas nunca discutido pelo órgão.
- Como uma pessoa fica 20 anos num departamento do governo, conhece os problemas que se acumulam até hoje e sua proposta não é discutida? - questiona o técnico.
A criação da Secretaria Nacional de Aviação Civil - setor executivo que tiraria poderes da Anac - também preocupa. No lugar do professor Rigobert Lucht, originário do campo acadêmico e diretor do Departamento de Política de Aviação Civil, do Ministério da Defesa, cotado para transformar-se na secretaria, Jobim pôs o ex-diretor-geral do DAC e major-brigadeiro-do-ar Jorge Godinho Barreto Nery.
Autor: Kayo Iglesias
Data: 09/09/2007
Fonte: Jornal do Brasil - País
Link: http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/09/09/pais20070909011.html
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