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sábado, 22 de setembro de 2007

Fwd: Segurança de Vôo: Militares x Civis

O texto abaixo foi produzido por uma pessoa (conhecida como fonte no jargão jornalístico) que enxerga com olhos críticos a relação de alguns militares da Força Aérea Brasileira (FAB) com a segurança de vôo no setor aéreo civil brasileiro. Merece reflexão. Procuramos preservar a fonte e, por isso, algumas partes do texto foram suprimidas ou levemente modificadas, mas jamais alterando o sentido original das idéias do autor.

Os Moderadores
22/09/2007



Data: 21/08/2007

A Aeronáutica vai se reunir com empresas aéreas na semana que vem para pedir que os pilotos não deixem de preencher os Relatórios de Investigação (RIs)

Como são ingênuos estes meus colegas de profissão.

O que alimenta investigadores de 'CENIPAs' em volta do planeta são os RELPER ou RI. Pilotos no Brasil devem acabar de vez em contar como "segredos" para os militares sobre (in)segurança em seus vôos.

Agindo assim, os militares cada dia mais têm seus arquivos de dados sobre as empresas crescendo como um bolo ao forno.

Nós, pilotos civis, há décadas já devíamos ter uma base de dados de acidentes aéreos com gestão civil.

É intrínseco da estrutura militar, agir com métodos de captação de informações. Todos oficiais militares que eu conheci, conversam com qualquer indíviduo civil sempre com intenções de colher alguma informação contrária aos princípios militares. É uma paranóia. Para eles qualquer civil está sempre do lado oposto ao deles. Uma frase absolutamente esclarecedora dita por civis, é escrutinada à busca de possíveis dados que serviriam aos serviços de inteligência (no Brasil são apenas bisbilhoteiros).


A Trama

O piloto escreve seu Relatório de Perigo, daí terá opção de eviar para empresa ou secretamente para o órgão militar. Se o piloto optou enviar para o departamendo de segurança de vôo da própria empresa, é feito uma análise (não, investigação) e os pilotos envolvidos são chamados para tomar conhecimento de alteração de procedimento operacional. Há muito disso na T--. O departamento de engenharia operacional fica à disposição de qualquer piloto para tentar esclarecer o fato analisado.

Com a segunda opção, os militares, os quais estão em brutal desvantagem frente a evolução da aviação civil, de posse dos dados, entra em contato com a empresa aérea e barganha no sentido de fazer a empresa pensar que há possibilidade de uma investigação por parte do órgão oficial.

A relação dos aviadores do CENIPA com as empresas aéreas é promíscua.

Os militares sempre agiram e agirão com a mesma intenção dos "Dossiês" tão propalados do falecido político Antonio Carlos Magalhães.

O piloto que preencheu o relatório de perigo passa a ser visado tanto pela empresa quanto pelos INSPACs da ANAC. Não será reprovado, devido ao alto conhecimento tecnico-operacional em relação aos aviadores da Aeronáutica, mas terminará passando muito mais anos para promoção de cargo entre aeronaves.

O que tem mais pesado para promoção de pilotos das grandes empresas, é o "file" (arquivo) dele, piloto. Os que relatam mais panes nos aviões, são tidos como inconvenientes. Ficarão esperando mais tempo para promoções de cargos dentro da estrutura da empresa.

Os militares de posse dos dados de insegurança, propaga entre os militares aviadores e os que estiverem interessado 'arranjam' suas aposentadorias e através dos seus superiores recebem a ajuda para entrar sob pressão no quadro de funcionários da empresa.

Assim foi feito com a TRANSBRASIL e com a VASP e cada dia cresce o número de aviadores da Aeronáutica brasileira dentro das empresas aéreas.

O aviador militar ao chegar dentro da empresa aérea não fica satisfeito em somente ser piloto. Ele vem do quartel com instrução de ocupar um cargo de chefia, melhor será um departamento onde ele possa ter acesso aos dados de manutenção e segurança de vôo.

O ESPIÃO ocupa a vaga de um piloto civil na empresa, por ser chefe de algum departamento, ainda goza do privilégio de ser tido pelos demais pilotos como algúem com possibilidades de influeciar demissão.

Os militares aviadores que estão trabalhando nas empresas aéreas civis, não estão lá apenas para voar, é regra geral, estão lá para passar informações preciosas sobre seus colegas civis e sobre a estrutura da empresa.

Eu conheci um ex-piloto da Aeronáutica que voava na T-- que se preocupava com as situações que mereciam Relatórios de Perigo. Emitia vários e a diretoria de operações da T-- se sentia incomodada. Na primeira oportunidade de demissão em massa esse piloto militar foi demitido.

Para ele não foi problema maior, ele deu um telefonema para outro militar da Aeronáutica que já tinha galgado o cargo de Diretor de Operações de uma empresa aérea em --------- e o desemprego durou apenas algumas semanas.

Portanto a preocupação do CENIPA em não receber mais relatórios de perigo, é essencialmente estratégica e não verdadeiramente relacionada com a segurança de vôo.

É cruel, mas esta é a realidade.

É injusto um piloto civil ser formado com recursos próprios, endividando-se e muitas vezes endividando familiares, e no final ser gerenciado por militares que tiveram a completa estrutura paga pelo bolso do contribuinte para se formar aviador.

Eu cito o caso específico do aviador V--------, muito conhecido dentro da T-- por ter sido líder da Esquadrilha da Fumaça da Aeronáutica.

O coronel aviador V-------- entrou na T-- e logo pegou o cargo de chefia, mas só quem tinha contato com os instrutores de vôo mais antigos da T--, ficou sabendo que foi um dos pilotos militares que mais demorou para se adaptar ao Fokker 100. Enquanto um piloto civil se adapta, após treinamento e vôos conhecidos como Duplo Comando, em média 80 horas chegando ao máximo requerido pela empresa de 100 horas, o V-------- estrapolou todas as previsões
e mesmo assim era o chefe de Equipamento.

Gozava do respeito e porque não dizer temor de pilotos sem personalidade.

O preenchimento de um relatório de perigo e seu devido encaminhamento deveria ser efetuado para um órgão independente e não para o "caçador" ávido pelo surgimento da "presa".

Esta estrutura tem que mudar e ela somente será mudada com a entrada de pilotos civis na ANAC. Pilotos com formação completamente civil e comprometido com os interesses da coletividade aviatória civil.

Os últimos editais da ANAC foram manipulados para eliminar a possibilidade de pilotos civis ultra experientes serem aprovados no concurso. A conivência do Sr. Milton Zuanazzi foi indecente.

Mas o Milton Zuanazzi foi escolhido à dedo para ocupar o cargo de diretor-presidente da ANAC. Quem o escolheu e o "preparou" para o cargo maior na ANAC foi o coronel da reserva remunerada da Aeronáutica, Veloso. Este é o único diretor da ANAC com conhecimentos técnicos que estaria ocupando um cargo insignificante dentro da estrutura da ANAC.

Ledo engado. Ele é o cérebro da ANAC para preservar os interesses militares dentro da Agência Civil.

E nós ainda tivemos que ouvir o nobre Senador Demóstenes Torres, derreter-se em elogios ao coronel Veloso. É estar realmente muito desinformado sobre a TRAMA militar da Aeronáutica para manter a Aviação Civil brasileira sob as rédeas curtas dos militares.

Logo que a sociedade civil deu seu parecer favorável aos anseios dos Controladores de Tráfego Aéreo de ter gestor CIVIL, os aviadores da Aeronáutica fizeram também motim dentro da caserna aos seus modos. Cruzaram os braços em protestos e ainda foram até a imprensa e disseram que a mudança seria inviável, devido os civis não terem a estrutura para fazer o controle de tráfego áereo.

Tal declaração soou como uma birra de criança dona da bola do jogo de futebol, ou seja, "se eu não jogar eu não forneço a bola para o jogo".

Esqueceu a Aeronáutica que a estrutura pertence ao país e não à Aeronáutica. Esta é apenas a responsável pela guarda e manutenção da operacionalidade da estrutura. Responsabilidade custeada com orçamento vigoroso captado não somente do orçamento da União, mas também recursos oriundos da INFRAERO, porém muito mal utilizados.

Com todo o avanço dos outros países a Segurança de Vôo no Brasil cada dia ficará mais obsoleta devido à péssima administração pelos aviadores da Aeronáutica.

A culpa total é da sociedade brasileira que não tem políticos engajados em colocar o país no mesmo patamar pelo menos da Índia.

Os brigadeiros vão ao Congresso, fazem seus discursos, afinal lá é uma casa de discursos, e por não ter políticos preparados para o futuro do país em termos de segurança de vôo, o que se vê é o marasmo dos nobres senadores e deputados ouvindo sem entender ao certo as explicações com evasivas dos aviadores da Aeronáutica.

É revoltante ver um militar da Aeronáutica tentando esconder da nação a precariedade e falta de perspectivas melhores do sistema aéreo brasileiro.

A segurança do vôo não está dependente exclusivamente dos Relatórios de Perigo preenchidos pelos pilotos. Antes ela passa pelo vigor da estrutura aérea arquitetada para o país.

A disciplina militar não serve como aval para uma boa adminsitração. Temos o exemplo dos hipermercados que as Forças Armadas tinham, em especial os da Aeronáutica, que foram todos fechados por falta de competência administrativa.

Os aviadores da Aeronáutica se imaginam seres providos de inteligência superior aos demais viventes, pelo simples e símio fato de darem conta de pilotar aviões.

Sempre foram e serão péssimos administradores, em virtude de que todos órgãos da Aeronáutica têm como chefe maior um aviador e os outros militares da Força Aérea são apenas especialistas que ocupam cargos subalternos aos aviadores, ou seja, técnicos administrando por suporem serem polivalentes.

Na prática, é o oposto. Por exemplo, o chefe de uma tesouraria é sempre um oficial superior Intendente, mas seu superior imediato, chefe da seção administrativa sempre será um aviador. E toma desdém praticado pelos aviadores aos seus demais colegas de mesmo posto.

Engenheiros do ITA que são aviadores, ou vice-versa, são refutados em cargos de chefia onde a doutrina do militar aviador estabeleceu que aquele cargo somente poderá ser ocupado por um aviador.

Ora, aviadores entendem de aviões. Pilotos civis entendem de aviões civis e estes estão anos-luz adiante da aviação militar brasileira.

Quando o presidente da CPI da Crise Aérea na Câmara dos Deputados teve que se ausentar por motivos de saúde, Deputado Marcelo Castro, médico psiquiatra, foi subistituído provisoriamente pelo Deputado Eduardo Cunha, economista. O que pudemos perceber foi a Aeronáutica se aproveitando da situação e colocando uma aeronave Legacy para um passeio rápido com a trupe do novo presidente provisório da CPI. Até mesmo secretárias participaram do vôo.

Creio que uma dúzia de deputados sabe do acontecimento de tal vôo-cortesia(-suborno?).

É o que tenho para início de conversa.

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"Quando falamos sobre alguém que perdeu a vida em um acidente, por algum erro operacional inadmissível, devemos sempre lembrar do seguinte: Ele lançou mão de todos os seus conhecimentos e tomou uma decisão. Ele acreditava tanto nesta decisão que apostou nela a sua vida. O fato de ele ter errado não é uma estupidez... é uma tragédia. Todos os chefes e colegas que tiveram contato com ele, tiveram a oportunidade de influenciar o seu julgamento. Por isso, cada vez que alguém se vai em um acidente, um pouco de cada um de nós também vai junto."